Bar do Nerd – Y The Last Man – Resenha

Y The Last Man – Resenha

Pablo Lopes 10 de setembro de 2011 2

Olaaaa bêbados… Opa, esqueci que não estou no podcast, logo tenho que manter uma narrativa diferente, até mesmo porque eu estou (fale isso alto) INAUGURANDO A SESSÃO DE QUADRINHOS do Bar do Nerd. E porque eu estou fazendo isso? Simples, sou colecionador de quadrinhos desde a década de 80, tornando-me um especialista (not) nos assuntos “quadrinisticos”, assim pretendo compartilhar com vocês algumas indicações e resenhas de forma que sejam “introduzidos” ao universo maravilhoso da 9º arte.

E para começar eu pergunto a vocês: O que vocês fariam se fossem o último HOMEM do planeta terra?

Nada que vc pensou pode se comparar ao que o jovem Yorick escolheu, caso vocês ainda não tenham sacado estou falando de “Y The Last Man” uma das melhores HQs que eu já li. Escrito por Brian K. Vaughan que foi um dos responsáveis pelos roteiros de Lost (ok, o final não foi legal) e Ex Machina (vou resenhar também) e artes de Pia Guerra que para jogadores de RPG da velha guarda conhecem bem nos desenhos de alguns livros como Vampiro — A Máscara, Changeling e Lobisomem — O Apocalipse, fora Marzá Jr. que desenhou as capas da obra.

A obra trás a narrativa de um mundo aonde uma praga de origem desconhecida matou a maioria das criaturas portadoras do cromossomo Y que define o gênero masculino sobrando apenas Yorick Brown e seu macaco Ampersand, e partir daí começa a saga para entender o que aconteceu com os homens bem como garantir, de certa forma, o reinicio da espécie humana, afinal sem homem como se faz, ou não faz?

O que me prende nessa HQ é a forma como o autor escreve como a sociedade sobreviveria a esta catástrofe, pois não querendo ser machista, sabemos que o mundo atual a maior parte dos governos estão nas mãos dos homens, assim como também outros cargos e empregos é dominado pelos homens, por exemplo: 99% dos mecânicos, eletricistas, pedreiros, assim como 100% dos sacerdotes católicos, muçulmanos, rabis judeus ortodoxos. E todos estão mortos, como seria uma reestruturação mundial e as sequelas desse “genocídio”.

Brincando com esta ideia Vaughan faz um ótimo trabalho de como imaginar o mundo mergulhado no caos distópico mesmo que ainda lógico partindo somente de pressupostos da nossa realidade atual, talvez sendo a parte mais difícil de uma HQ como esta. Possibilidades diversas surgem e são inseridas na historia, como por exemplo grupos radicais de feministas que se auto intitulam Amazonas, que assumem uma postura frente ao ocorrido de acreditar que a morte de todos os homens é uma benção, ou seja, um bando de sapatas revoltadas.

Intrigas políticas aparecem na HQ quando se descobre que ainda existe um homem vivo, logo a nação que o tiver, poderá se sobressair as outras, garantindo a supremacia. Os personagens coadjuvantes são intrigantes e importantes, pois no desenvolver da historia são eles que fazem o pano de fundo político, religioso e amoroso sendo inseridos e retirados da historia com uma leveza impressionante.

O personagem Yorick é meio babaca no inicio da HQs, tomando atitudes idiotas frente a importância de ser o último homem do planeta, fora isso seus ideais nobres de conseguir chegar até a Austrália para encontrar com sua namorada na esperança que ela esteja bem e assim finalmente repovoar o mundo a moda antiga. Este personagem nobre e romanciado frente ao caos instalado e a mulheres completamente loucas em hipótese alguma tende a parecer como uma forma de implicação aonde os homens são melhores do que as mulheres. Alias estas diferenças sexuais são muito bem abordadas ao longo de toda historia.

A ideia política me chama muito a atenção como, por exemplo, quando o governo norte-americano fica sabendo sobre a existência do último homem e coloca Yorick sob vigilância, assim surge a agente especial 355 que o protege e o acompanha durante toda a historia, fora que outra pessoa entra para o grupo por ser uma cientista que estava próxima de conseguir o clone humano. Com essa premissa, a série deslancha percorrendo o que restou da civilização, vendo as consequências da tragédia e cada um com sua busca pessoal.

Apesar de eu ter passado uma ideia de uma HQ politizada e bastante pesada por conta do próprio tema, a série tem muito bom humor graças a forma de criança que o protagonista se comporta e até mesmo situações de adaptação a esta nova realidade.

Finalizando, quem ficou interessado pela revista poderá encontrar nas bancas através do selo Vertigo da Panini ou comprar pelo link da saraiva aqui neste etílico site. O encadernado em questão esta muito bem produzido, a serie nos Estados Unidos saiu mensalmente em 60 edições, já no Brasil esta saindo 5 edições por encadernação. Quem quiser ler o primeiro que saiu é só acessar o link oficial da editora CLICA AQUI.

Informações adicionais:

Em 2003 surgiram fortes boatos de uma adaptação para o cinema dividida em três partes dirigida por Carl Ellsworth e D.J. Caruso, porem em 2010 novos boatos falavam que Louis Leterrier (Fúria de Titãs, O Incrível Hulk) estaria interessado em adaptar a serie tanto para os cinemas como também pensou na possibilidade de se tornar uma série (imagina feita pela HBO), porem o projeto estaria travado e dependo dos executivos da Warner Bros/New Line Cinema. Confira abaixo um Fan Film Trailer:

Fan Film Trailer de Y The Last Man

 

E no site rantingandraving você encontra algumas sugestões, em inglês, de atores para viverem os papeis dos pricipais personagens da historia.

Deixo a pergunta, o que você faria se fosse o último homem da terra, responda nos comentários?

2 Comments »

  1. Stefano 11 de setembro de 2011 at 16:23 - Reply

    Parabens pelo inicio, que seja o primeiro de infinitos.
    Graças a meu irmãozinho, estou acompanhando a saga de Yorick…cara é realmente muito boa.
    O que achei curioso…atualmente os homens detem o poder no mundo…isso é fato.
    Porem a saga mostra que se as mulheres tomassem o poder, nada e absolutamente nada mudaria. As intrigas, o preconceito, lutas pelo poder e idéias idiotas como as amazonas seguem.
    Ou seja, mudaria os personagens mas não a história.
    O problema esta em ser humano e não em ser homem ou mulher.
    Como não posso deixar meu lado cientifico isento, não haveria como a humanidade durar tanto como no gibi, já teria se extinto sem os especimes macho. Pensemos…mesmo as plantas precisam do gene macho para reproduzir…sem plantas, sem frutas, sem comida.

    Mas a série é uma das melhores que li, aguardo anciosamente a continuação. Não percam.

    Vida longa e próspera.

  2. Douglas Exumador 21 de setembro de 2011 at 23:34 - Reply

    Ficou muito boa a sua resenha, Pablo!

    E uma das coisas mais legais dessa saga toda é que ninguém fica sabendo direito como a praga exterminadora dos homens realmente aconteceu… Ficam pistas, mas nada definitvo, de que a causa podia ser religiosa, política ou científica – vai que era um vírus!

    Agora, sobre ser o último homem da Terra, lembre que todas as mulheres só estarão disponíveis para o felizardo de um jeito muito hipotético… nem o Gene Simmons do Kiss, que disse que comeu mais de duas mil mulheres, conseguiria traçar a metade sobrevivente da população mundial (sei lá, três bilhões?).

    Haja língua!!

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